17 de out. de 2008

Amar é Brega!



Amar é brega!

Hoje em dia eu olho ao redor e tudo me leva a esta conclusão. Amar se tornou algo brega e fora de moda.

Vejo as pessoas ao redor fugindo disso. Amar simplesmente se tornou algo brega. Você gosta mas não ama. Você se relaciona mas não se envolve.

Escuto as musicas hits das ultimas duas décadas e não existe uma celebração ao amor, mas uma celebração as perdas. "você me abandonou e eu sofro porque te amava" ou "Você me abandonou e vai sofrer porque me ama!" é o que nossas musicas dizem hoje em dia. As que dizem o contrário é óbvio que são bregas. As pessoas vem perdendo a coragem de amar. O amor não é algo a ser celebrado. Ele se tornou algo pesado e que lembra dor, vergonha, um compromisso e prisão e que faz as pessoas terem medo de assumi-lo quando o sentem. É um sinal de fraqueza social hoje em dia. Uma espécie de demérito.

"Dizer que namora é fácil, andar de mão dada na rua é o que quero ver!" dizia um amigo a muito tempo. Realmente, faz tempo que raramente vejo a segunda parte desta frase.

"Aham, esse cara está descornado ou magoado" é o que deve estar pensando enquanto lê o que escrevo, mas sinceramente, só estou desapontado com o que estamos fazendo a nós mesmos.

Na verdade é com tristeza que vejo onde tudo chegou.

Guerra dos sexos? Esta então é a coisa socialmente que mais demonstra isso! "Os homens e as mulheres são todos iguais!" é o que dizem, como se culpar o gênero oposto cobrisse o fato de nos sentirmos em desvantagem e desvalorizados por não sermos retribuídos por esse "esforço" que é amar. Como se além da carne e diferenças biologicas o espirito humano fosse diferente.

Sempre digo que "nunca ofereça algo por amor esperando algo em troca" pois isso é o que vejo do amor, Você oferece algo maior que você, não porque espera algo em troca, mas porque você é capaz de faze-lo, ou deveríamos se-lo. Você é incompreendido? Mas quantas vezes realmente tentou compreender a outra parte? Mas o problema é sempre o outro que nos fez amar e nos sentir frágeis, não é verdade? A frase "você é um egoísta! Nunca entende minhas necessidades" sempre me soou uma autoacusação, pois em geral o que se está dizendo é "Eu sou um egoísta pois não consigo pensar nas NOSSAS necessidades". Frases clássicas e que todos já ouviram um dia e quem já disse nunca vai admitir que era isso que estava dizendo pois é mais fácil negar o amor.

Não sei em que momento isso se perdeu, se tornou piegas, mas é um fato não assumido. Uma das muitas demagogias da sociedade. Não se sabe mais o que é o amor.

Meu amor é meu para oferecer a quem e quando quiser, de livre e espontânea vontade e para retirá-lo da mesma forma. Cada relacionamento me ensina mais sobre mim mesmo. É um músculo que se não é usado atrofia, lesiona, dói e cria cicatrizes para sempre. Ele não existe para castigar e nem como moeda de troca. Não existe para prender ou chantagear. As pessoas saem de seus relacionamentos magoadas, cansadas e se sentindo usadas ou humilhadas. Elas esquecem tudo que aprenderam e ensinaram durante o relacionamento e que desta forma deveriam ter aprendido coisas boas sobre o processo todo, mas aprendemos a lembrar do amor quando ele acaba e culpamos alguém pela dor, culpamos a nós mesmos no velho estilo "nunca mais farei isso ou aquilo!".

Ou outra variação do não entendimento do amor... Amor é o aceite do outro, só que poucos lembram de amar assim... amamos a imagem que fazemos da outra pessoa e criamos uma imagem pra ser amada. Quando a imagem não se sustenta o amor acaba? Não, acaba apenas a ilusão do desejo de amar da forma como achávamos certo. Amávamos apenas "a idéia de amar". Só que amor é autêntico! Não é uma idéia a ser formada a nosso desejo e necessidade. Ele não representa, ele apenas é o que é.

Esse pensar atual sobre o amor é um reflexo de quem quer dar um troco ao que acha que o amor lhe fez. É a transferência de nossas dores para quem tenta nos curar. Já fui acusado de tentar "prender as pessoas" ou "pressiona-las a amar" pela minha atitude de amar. Penso que na verdade as pessoas que assim pensam sobre o amor não sabem e não estão preparadas para ser amadas. Desaprenderam a amar. Declaramos guerra ao amor e a todos que tentam nos obrigar a amar também.

"Fodam-se estas pessoas que querem me amar! Não serei vítima desta fraquesa! Eu comando meu mundo e controlo o relacionamento! ninguém vai me controlar!". É, ser amado virou sinal de submissão e de deixar a individualidade de lado.

É tão difícil assim abrir mão do egoísmo e vergonha? Precisamos testar, provocar e colocar todos que tentam nos amar a prova? O Amor precisa ser burocrático?

Fazendo uma analogia, vejo o nosso tempo atual como um tempo onde a sociedade está doente e em fisioterapia. Amamos tão pouco que estamos com as pernas paralizadas, paraplégicos deste sentimento. Quando tentamos é como começar a fisioterapia sem um fisioterapeuta. Tentamos, doi, caimos, culpamos a necessidade de ter que aprender a andar de novo e desistimos paralizados. Aí aparece alguém para nos ajudar a andar direito. Alguém que tenta nos curar. Por um tempo culparemos esta pessoa por nos fazer sofrer. Quando aprendemos a caminhar de novo somos gratos, mas a verdade é que poucos tem força de vontade pra tanto e neste caso o fisioterapeuta deste tratamento será o culpado de nossa incapacidade de andar e invejaremos todos os que conseguem andar. Neste caso pra mim a dor é nossa autoculpa por não saber amar e o amor é o ato de poder andar livremente novamente. Complexo? É! É assim que os relacionamentos são e no fim deveríamos aprender que a cada passo é uma conquista e que a cada termino estamos a mais um passo de andar mais rápido.

Culpa da Disney? Talvez...

O fato é que se amar é brega, brega serei.

E você?

ps.: cada dia mais descubro que não existe uma impossibilidade para o amor, mas uma impossibilidade para amar.

Um comentário:

Júlia disse...

se o amor é brega, então sou o Wando! :)