18 de nov. de 2008

Design X Branding x relacionamentos.

Tem gente perguntando onde entra design e branding neste blog que tem falado tanto de experências, sabor e relacionamento. Bom, pra mim tem tudo a ver. Explico:

Quando falamos de experiências e relacionamentos interpessoais, estamos falando diretamente de momentos, experiências marcantes, memórias e nossas relações com tudo isso. Sejam elas más ou ótimas. Em geral as únicas más que sobrevivem são as
bem traumáticas e todas as boas e ótimas ficam na memória.

Quando falo de Design (esqueçam essa mania mercantilista de subdividir a categoria - pra mim isso é tecnicismo e assunto pra outro post. a propósito tenho formação técnica e por isso posso afirmar o fato) estou falando da categoria antropológica, psicológica e social de criar elementos que se relacionarão com os seres humanos. Esqueça a discussão sobre arte, esqueça a discussão sobre quantificações de venda e a estratégia de branding e comunicação ou de marketing do ano.

Estamos falando da relação que os objetos da cultura material criam no ponto de vista emocional com as pessoas. Não falo daquela propaganda ou imagem melosa que te faz chorar e mandar o vídeo da campanha para os amigos, mas aquela máxima que encontramos nos amantes de carro.

Quem nunca ouviu do avô uma frase como "na época que eu tinha um ford modelo 1972, as coisas eram diferentes!". É disto que falo... fazer design para fazer história. Omo faz isso bem, Balas juquinha fazem isso bem, paçoca amor faz isso bem assim como muitas outras coisas.

Design é a relação entre o que o designer comunica e como as pessoas digerem e repassam. Um bom projeto é bom pelo vinculo emocional que cria no dia a dia das marcas e com as lembranças das pessoas. História se faz com pessoas e não com números.

O grande conflito de hoje é que precisamos quantificar resultados e pra mim nada é mais medíocre que isso. Não tenho um substituto para a democracia, mas no meu ponto de vista, pesquisas quantitativas e democracias tem uma coisa em comum - a total mediocratização do processo.

Do ponto de vista do Dr V.A. (afinal as pessoas só respeitam citações que não são suas...) democracia é "o processo mediocratizante de se resolver as coisas por uma média rasteira e inferior ou a melhor maneira de consenso de não se agradar a ninguém". Concordo com ele. rs

Pega-se uma quantidade enorme de opiniões do "publico alvo", se coloca em gráficos bonitos e projeções para se afirmar que "aquele é o publico alvo e suas opiniões" e dentro da experiência do banal e comum se decide o que fazer. Esqueçam a inovação, esqueçam as pesquisas psicológicas, sociais e antropológicas dos movimentos, ciclos e relações humanas - afinal o que vale é o que mais as massas votaram.

Bem sabemos que se o que os seres humanos dizem querer fosse EXATAMENTE o que eles querem não haveriam problemas de relacionamento, sociais entre outros, afinal todo mundo diz querer fazer o certo - então vem a pergunta - PORQUE RAIOS NÃO FAZEMOS?

Design é relacionamento, experiência, estimulo e vivência. É qualificável e não quantificável. Pergunto quando foi que o Design perdeu o espaço para as outras correntes quantificaveis e frias que convertem tudo em numero. Na minha opinião foi quando pensamos que design era simplesmente uma expressão de arte e como a arte perdemos nosso vinculo com quem queríamos sensibilizar. Perdemos a mão?

Perdemos foi a possibilidade de emocionar, relacionar e conviver com os seres humanos e perdemos o COMPROMETIMENTO com este relacionamento.

Quero que um dia alguém vincule algum projeto meu com seus bons momentos de vida. Quero saber que meus projetos se relacionam com fidelidade com alguém e não apenas atendem uma estatística de venda.

Pra mim Design é relacionamento humano e como em todos os meus relacionamentos eu quero que meus projetos sejam eternos enquanto durem nesta relação com o público. Quero que eles sejam lembrados pelos bons momentos que eles estavam vinculados. Quero que um dia o Design Brasileiro recupere esta emoção e conquiste novamente o publico com toda a emoção necessária para cativar e ser lembrado.

Não quero uma "criação" pois essa é apenas o ato de por no mundo - quero é ver "projetos emocionais" que tenham planos, projeções e continuidade. Assim como eu odeio pessoas que trocam de idéia a todo momento, odeio o mercado da comunicação que todo dia troca a personalidade de produtos. Como em todo relacionamento as marcas e produtos precisam ser autênticas pra se relacionarem. Precisamos acabar com as criações que tentam ser o que não são. Que sejamos o nosso melhor e não o melhor que os outros querem.

Então que Design se torne a melhor experiência de relacionamento possível. Que como todo relacionamento tenha como base a CORAGEM DE QUERER ASSUMIR, o RESPEITO pelo outro e principalmente O COMPROMETIMENTO NECESSÁRIO.

Estou fazendo a minha parte. E você?

Um comentário:

Júlia disse...

acho que vc roubou minha dissertação e não tá querendo me contar! ADORO paçoquinha Amor!!! Tenho uma caixa aqui em casa!!!! :)
bjs